Mostrar mensagens com a etiqueta movimentos. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta movimentos. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 19 de maio de 2016

Fenómenos de resposta a falências sócio-políticas

Hoje em dia é muito comum encontrar obstáculos na política ou na sociedade em geral que, se não tentamos mudá-los, podem afetar seriamente alguns setores da população. É por isso que quando há algum problema social ou político que afeta maior parte das pessoas é necessário manifestar-se de algum jeito para evitar males maiores e para conseguir que a opinião da gente também conte na hora de tomar algumas decisões.

Primeiro, é preciso dizer que uma manifestação tem de ser sempre pacífica, já que há muitas maneiras de conseguirmos ser ouvidos sem utilizar a violência. Poderíamos classificar as manifestações segundo a sua “gravidade”, por exemplo, uma greve de fome. Esta é uma maneira muito comum de resposta e bastante efetiva, já que quando a pessoa deixa de comer e entra em perigo o fator humano, os governantes costumam temer pela sua vida e tomam as medidas necessárias, ou pelo menos, começam as negociações. Outro jeito de protesto também pode ser ficar nu na rua. Já há vários grupos de ativistas que se dedicam lutar contra de problemas e aparecem nus em sítios muito polémicos com outros manifestantes e um slôgane. Não é a forma mais pacífica de protestar, mas o que conseguem com estas ações é que as imagens corram o mundo e todas as pessoas saibam qual é o tema que procuram solucionar.

Fonte: pinterest.com
Tenho de dizer que estas são umas maneiras de manifestar-se um pouco drásticas, porque também há outras menos fortes que chegam do mesmo modo às pessoas. Uma delas é utilizando a arte, como a música ou a pintura. Por exemplo, as canções são uma forma eficaz de chegar à população porque a través delas podem-se expressar todo o tipo de sentimentos e além disso, fazêm-no de uma maneira emocional que depois as pessoas recordam com facilidade. A música, como ocorre com a pintura, estarão sempre presentes na sociedade e poderão chegar a os diferentes setores, embora o problema já fosse solucionado, mas serviriam, então, como um ícone para evitar que alguma injustiça voltasse a acontecer. 

Por outro lado, a oratória foi desde há muitos anos o ponto forte dos representantes e das pessoas que lutam por ter um presente, e se calhar, um futuro melhor. Por isso, outra forma de resposta às falências sociais e políticas é a elaboração de um discurso emotivo e bem argumentado que teria de ser recitado em público ou, incluso, ou impresso em cartazes para que chegasse ao maior número de pessoas possível. Para além disto, o ideal seria utilizar recursos como a ironia, já que deste jeito os governantes perceberiam melhor o que teriam de fazer bem e até é possível que o tomassem como um reto. 

Em conclusão, quando há falências sócio-políticas é bom manifestar-se e opinar porque quase sempre e somente deste jeito se conseguem solucionar os problemas.

quarta-feira, 18 de março de 2015

Paiva Couceiro: desde o exílio na Galiza até à cidade do Porto

Numa entrevista a Xosé Ramón Pena, realizada em 2008 pelo diário La Opinión Coruña, o filólogo galego assegurava que, durante a Guerra Civil espanhola, Portugal estudou a possibilidade de anexar a Galiza. Segundo o escritor galego, Rolão Preto, peça chave para a criação do movimento Integralismo Lusitano, tinha aconselhado Salazar a aproveitar o caos administrativo existente durante a Guerra Civil espanhola. Segundo parece, houve mesmo um plano de ação que estudou a possibilidade de levar a cabo essa anexação.
O Integralismo Lusitano era um agrupamento sócio-político tradicionalista do Portugal de começos do século vinte, partidário da restauração da monarquia, que esteve ativo e influente desde 1914 até 1932, em oposição à República Portuguesa de 1910 e ao posterior Estado Novo de Salazar. Sem chegar a considerar ou julgar ideologias políticas, o que nos chamou a atenção fui o fato da Galiza ter servido de refúgio, exílio e base de operações a importantes figuras do Integralismo Lusitano nestas primeiras décadas do século vinte; figuras como o próprio Rolão Preto ou mesmo o seu amigo e mentor político, Henrique Paiva Couceiro.
Dentro do Integralismo, o qual se inscrevia numa ideologia nacional-sindicalista, foi o militar e político Paiva Couceiro o  principal responsável por planear a restauração da monarquia portuguesa  e de chegar inclusive a conseguir a sua instauração à base de teimosia, ainda que só durante 25 dias. Refugiado na vila pontevedresa de Tui, Couceiro reorganizou um pequeno grupo de militares partidários da monarquia, realizando assim diversas incursões ao território português, entre 1911 e 1919.
Paiva Couceiro, imagem da Wikipédia 
Couceiro tinha-se notabilizado nas campanhas coloniais de ocupação em Angola e Moçambique, chegando a ser o único oficial português a ser agraciado com três graus da Ordem Militar da Torre e Espada, pelo valor, lealdade e mérito, tendo sido também proclamado benemérito da pátria. Depois do exílio do rei D. Manuel ll, logo após a implantação da República, Couceiro não reconhece as eleições de 1911. Numa carta enviada a Rolão Preto, em 1910, Couceiro assegura que no país não existem “nem crenças, nem fé”; a confusão na política portuguesa permite “frivolidades correndo ao gozo” e “plutocratas tratando da vida”, enquanto a consciência social portuguesa se desvanece. Notoriamente pouco susceptível a pusilanimidade, Couceiro não desistiu dos seus ideais de progresso e grandeza para o povo português. Reúne as suas tropas em 1911 e, logo após tomar Chaves a 4 de outubro, é derrotado pelas forças republicanas, muito superiores em número e melhor equipadas. Esta derrota obriga-o ao exílio na Galiza.
Esta contra-revolução monárquica, que contava com a simpatia dos conservadores da região Norte de Portugal, conseguiu subverter as instituições do território que ia do Minho à linha do Vouga, depois de realizar a sua última incursão em 1919. Em nome do rei D. Manuel II de Portugal, exilado na Grã-Bretanha, ela restaura a Carta Constitucional de 1826, proclamando, assim, a restauração da monarquia na cidade do Porto, a 19 de janeiro. Couceiro foi presidente da junta governativa desta chamada Monarquia do Norte, sendo ativamente apoiado pelos líderes integralistas. Este efémero regime, que durou até 13 de fevereiro, revogou toda a legislação republicana e restaurou a bandeira e o hino monárquicos. Não obstante, logo teria de enfrentar a carência de apoios fundamentais por parte da política, do exército e da sociedade portuguesa, tendo de abandonar as suas pretensões a favor da República.