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quinta-feira, 14 de abril de 2016
terça-feira, 26 de maio de 2015
Ecoturismo
Por:
Ares Cuba, Gabriel
Cambeiro Vázquez, Sara
Segundo a EMBRATUR (Instituto Brasileiro de Turismo) o ecoturismo é um «segmento de atividade turística que utiliza, de forma sustentável, o património natural e cultural, incentiva sua conservação e busca a formação de uma consciência ambientalista através da interpretação do ambiente, promovendo o bem-estar das populações envolvidas». É o segmento turístico que mais cresce no mundo. O turismo convencional cresce 10% ao ano, enquanto que o turismo ecológico cresce entre 15% e 20%.
Apesar de que o trânsito de pessoas e veículos possa ser agressivo para o meio ambiente, os defensores da sua prática argumentam que este tipo de turismo contribui para a preservação da natureza e é uma proposta educacional muito efetiva.
Para que uma atividade se considere uma atividade de ecoturismo, deve garantir, em primeiro lugar, a conservação dos recursos naturais e culturaise, em segundo lugar, a educação ambiental. Por último, deve gerar benefícios para as comunidades recetoras. Os defensores deste tipo de atividades promovem-as como uma forma de praticar turismo em pequena escala, uma prática mais ativa e intensa do que outras formas de turismo; uma modalidade de turismo na qual a oferta de uma infra-estrutura de apoio sofisticada é um dado menos relevante; uma prática de pessoas esclarecidas e bem-educadas, conscientes de questões relacionadas à ecologia e ao desenvolvimento sustentável, em busca do aprofundamento de conhecimentos e vivências sobre os temas de meio ambiente; e, finalmente, uma prática menos espoliativa e agressiva da cultura e meio ambiente locais do que formas tradicionais de turismo.
Na Galiza há muitas opções de ecoturismo, mas o maior ponto de ecoturismo que se pode achar de maneira não muito complicada é o Parque Natural das Fragas do Eume, situado no norte da comunidade.
O Parque Natural das Fragas do Eume é um dos bosques atlânticos melhor conservados da Europa. Dentro dos seus 9 000 hectares de extensão vivem menos de 500 pessoas, o que dá uma ideia do estado virgem destes bosques, que seguem o curso do rio Eume. O parque tem forma de triângulo, cujos vértices e fronteiras são As Pontes de García Rodríguez, Pontedeume e Monfero.
Imagem: http://www.greenpeace.org/
A melhor forma de conhecer o parque é caminhando. Entre a sua vegetação pode-se achar carvalhos, choupos, freixos, amieiros, mais de 20 espécies de fetos e 200 de líquenes. Por vezes, a flora é tão espessa que não deixa passar a luz. Porém, este bosque sombrio e secreto oculta águas, fontes e fervenças. Aqui não há verde, aqui há paisagens de mil verdes. E escondido no coração do bosque está o Mosteiro de Caaveiro, um antigo cenóbio com mais de dez séculos de história e umas vistas espetaculares desta fraga mágica.
Bibliografia:
- http://pt.wikipedia.org/wiki/Ecoturismo
- http://www.turgalicia.es/parque-natural-fragas-do-eume-presentacion?langId=es_ES
sexta-feira, 15 de maio de 2015
Trabalhar em Portugal, uma opção para os médicos galegos
Imagem: http://www.apsep.org
A APSEP (Associação de Profissionais da Saúde Espanhóis de Portugal) publicava em 2007 uns dados que mostravam que cerca de 3.000 médicos de Saúde pública portuguesa eram espanhóis, dos quais 1.200 eram galegos. O maior fluxo de pessoal produziu-se entre os anos 1998 e 2004, e teve a ver com as dificuldades de acesso ao trabalho e formação que existem para os médicos na Espanha. Em 1999, uma empresa galega, a Cosaga, começou mesmo a administrar clínica e financeiramente o hospital trasmontano de Valpaços.
Hoje em dia, e apesar de as condições não serem tão favoráveis como há dez anos, muitos médicos continuam a preferir o sistema português, e ainda há uns 700 médicos galegos trabalhando no país luso, a maior parte dos quais continua a viver na Galiza e cruza a fronteira todos os dias. Os profissionais de Saúde são unânimes em afirmar que Portugal, não obstante pagar menos aos médicos do que a Espanha (uns 1000 euros concretamente), oferece ao pessoal médico melhores condições de trabalho. A possibilidade de aceder a uma vaga fixa com um contrato indefinido atrai muito médicos espanhóis, que têm de enfrentar a instabilidade do sistema espanhol, onde a maioria dos contratos são temporários.
Enquanto o sistema de Saúde espanhol está saturado e não oferece vagas suficientes, no português ocorre o caso oposto: há lugares, como as povoações do Norte do país, ou as zonas do Algarve e o Alentejo, onde não se preenchem as vagas requeridas pelos Centros de Saúde. Segundo o presidente da associação (APSEP), o galego Xoán Gómez Vázquez, a falta de mobilidade dos médicos portugueses, que preferem trabalhar nas grandes cidades, é outro dos motivos para que não sejam cobertas todas as vagas. Os médicos portugueses também optam por emigrar para países como a Inglaterra ou a França onde os salários oferecidos são muito maiores que em Portugal.
A privatização da Saúde que se está a viver na Espanha não só está a afetar os médicos, mas também os estudantes de Medicina. Muitos deles encontram sérias dificuldades para se especializarem, uma vez que na Espanha quase não há vagas em determinadas especializações, tais como Pediatria ou Cirurgia Plástica, que são muito requisitadas e, portanto, decidem fazer a especialização em Portugal, onde sobram vagas.
Contudo, Portugal tão pouco se salva da má situação que está a viver a Saúde. Desde a implementação das medidas de austeridade no ano 2011, as condições deixaram de ser tão favoráveis. A carga fiscal que o Governo português está a realizar por meio da Segurança Social e dos impostos, ou com medidas como a Taxa de Solidariedade, fez diminuir consideravelmente o número de médicos que cruzam a fronteira. Um exemplo disto é a falta de cobertura das últimas 115 vagas para médicos de família, oferecidas este ano pelo Governo português em povoações do Norte, das quais 35 vão ficar sem cobrir, e para as quais só se apresentaram 7 médicos espanhóis.
sexta-feira, 8 de maio de 2015
Explorando a natureza: turismo sustentável
Viajar nunca antes fora tão fácil e barato. Hoje em dia, pode-se mesmo encontrar ofertas de voos para grandes capitais mundiais por só dez euros, quando há uns anos isto era inimaginável. Além disso, a internet oferece uma ampla variedade de opções para todos os gostos. Também há muita informação sobre todos os países e culturas, pelo que errar na escolha do destino já não é tão fácil como antes. Embora esteja na moda visitar para o estrangeiro, eu acho que a melhor maneira de viajar é começando pela própria região e, logo depois de a ter conhecido um pouco melhor, saltar ao estrangeiro se você quiser mais aventura.
O Caminho de Santiago é uma excelente opção para aqueles que têm tempo e desejam fazer uma viajem longa com tranquilidade, para ver muitos sítios. Pode-se ir a pé ou de bicicleta. Uma rede de albergues ao longo do caminho oferece ao peregrino a possibilidade de se hospedar durante todo o trajeto quase sem gastar dinheiro. Acho que é uma boa maneira de relaxar e desfrutar duma paisagem pitoresca. O contacto com a natureza pode curar as doenças da alma, o estresse do trabalho. Além disso, o exercício também ajuda a melhorar a saúde. Além disso, rematar uma viagem tão longa e custosa não só dá ao caminhante a sensação de liberdade e uma boa recordação para a posteridade, mas também lhe dá mais força de espírito, para assim poder enfrentar o dia-a-dia com maior firmeza e melhor temperamento. E se não se terminar o percurso, sempre se pode aprender algo com a experiência, como o Paulo Coelho, que se fez escritor depois de ter apanhado o autocarro para Santiago em O Cebreiro, tendo decidido depois pôr fim ao seu caminho.
Para aqueles jovens que gostam de ficar num lugar e desfrutar dele, a melhor opção são os acampamentos. Um carro (ou bilhete de autocarro), uma mochila carregada de coisas e uma tenda são as únicas coisas que se precisam para fazer uma viagem assim. Se gosta de ir à praia pelo verão e conhecer gente, as Rias Baixas são um destino ótimo. Com mais parques de campismo do que no resto da Galiza, este enclave oferece a possibilidade de desfrutar da natureza e do mar, sem perder a oportunidade de visitar a zona urbana para tomar umas cervejas nalgum terraço ou ir à discoteca à noite.
Outra opção semelhante para aqueles que gostam de lugares mais naturais, longe de grandes infra-estruturas, é a de partir de qualquer lugar sem bagagem, de bicicleta ou a pé, e levando consigo uma barraca e comida. A região costeira do norte da Galiza está menos explorada turisticamente do que a região sul, e possui praias tão bonitas, como as do concelho de Ponteceso ou Carinho, que apenas recebem visitas de turistas pelo verão. E para aqueles que não gostem tanto do mar, o interior está cheio de aldeias, montes e rios que farão as suas delícias.
Se o que você tem pensado é viajar ao estrangeiro sem gastar muito em alojamento, há pessoas que lhe abrem as portas de suas casas a viajantes sem exigir nada em troca. Na página web coachsurfing.com você pode contactar com pessoas de todo o mundo para solicitar alojamento. Há mesmo uma página web parecida, na qual proprietários de países de todo o mundo se oferecem para arrendar o seu jardim por um preço muito baixo. Também há a possibilidade de viajar ao estrangeiro e ficar em enclaves naturais sem ter que pagar. O mais recomendável são as granjas orgânicas. A página web wwoof.net possui uma listagem de granjas orgânicas onde você se pode alojar e alimentar gratuitamente. Em troca da hospedagem e da comida, você deverá trabalhar durante umas horas por dia nas fazendas, que dependerão das exigências de cada dono.
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quarta-feira, 8 de abril de 2015
Manoel de Oliveira: 1908 - 2015
Não queria deixar passar em branco, aqui no blogue, a notícia da morte de Manoel de Oliveira, um dos mais reconhecidos e respeitados cineastas portugueses, que também viveu na Galiza parte da sua infância.
Manoel de Oliveira morreu no passado dia 2 de abril, com a extraordinária idade de 106 anos, o que fazia dele o mais velho realizador do mundo ainda em atividade.
Manoel de Oliveira somou mais de 80 anos de carreira, abrilhantados com dezenas de prémios e distinções nacionais e internacionais. Em 2008, foi-lhe prestada homenagem no Festival de Cannes e, quatro anos antes, Veneza atribuiu-lhe um Leão de Ouro, consagrando, assim, a sua carreira como realizador.
Manoel de Oliveira dizia que queria fazer filmes até morrer. Assim foi. A última curta-metragem do cineasta português, "O Velho do Restelo", estreou-se em dezembro de 2014.
A melhor homenagem que podemos fazer ao Mestre do cinema português é assistir aos seus filmes, entre os quais destaco "Aniki-Bobó" (1942), "O Acto da Primavera" (1963), "A Divina Comédia" (1991) e "Vale Abraão" (1993).
Deixo-vos algumas ligações para reportagens e filmes.
Ligações úteis:
- http://pt.euronews.com/2015/04/02/morreu-manoel-de-oliveira/
- http://rr.sapo.pt/informacao_detalhe.aspx?fid=30&did=183160
- http://rr.sapo.pt/opiniao_detalhe.aspx?fid=34&did=183199
- http://www.rtp.pt/noticias/index.php?article=817287&tm=4&layout=121&visual=49
- http://www.tvi24.iol.pt/cinebox/um-filme-falado/manoel-de-oliveira-com-o-manoel-tudo-era-muito-singular
- http://sicnoticias.sapo.pt/especiais/manoeldeoliveira/2015-04-03-Manoel-de-Oliveira-segundo-os-atores
- https://www.youtube.com/watch?v=1Dv1OpvG5E0
- https://www.youtube.com/watch?v=7e5-3o7GwAg
- https://www.youtube.com/watch?v=9D-H3YX60ts
- https://www.youtube.com/watch?v=ViYWJ48E7AE
segunda-feira, 30 de março de 2015
Mineração irresponsável na Galiza: Corcoesto e Cova Eirós
Por:
Gabriel Ares Cuba
Sara Cambeiro Vázquez
Hoje vamos falar sobre a mineração na Galiza, concretamente da mina que põe em perigo a zona de Corcoesto e a Cova Eirós. A empresa canadense Edgewater tem ameaçado, desde há muito tempo, a província da Corunha com uma exploração a céu aberto. Por outro lado, a empresa Cementos Cosmos pretende fazer perigar um dos jazigos arqueológicos mais antigos da Península Ibérica, e o mais antigo da Galiza, situado na província lucense.
Em julho de 2013 conheceu-se a notícia de que a Xunta de Galicia e a Edgewater paralisaram o acordo para que a empresa desse ao Estado garantias de solvência. Este facto provocou a indignação da população por não terem dado atenção ao problema ambiental. Quase ano e meio depois, a empresa mineira anunciou que o acordo continua com efeito porque pretende satisfazer as exigências da Xunta. Em janeiro de 2015 sai à luz a notícia de que a companhia perderia os direitos sobre o terreno explorado, pela modificação da lei 3/2008 da ordenação da mineração da Galiza. Porém, quando parecia que o assunto com a Edgewater estava concluído, aparece uma notícia anunciando a exploração por parte da companhia Sacyr.
No seguimento destes acontecimentos, a Cova Eirós também é vítima da mineração. Em agosto de 2014 sai à luz a notícia de que a canteira Cosmos reiniciou a sua atividade. Algumas associações denunciam o incumprimento de requisitos básicos para a realização destes projetos de cantaria. A alcaldesa de Triacastela tenta suavizar o golpe pedindo um museu para a gruta em perigo. Evidentemente, isto não é uma solução para a preservação do jazigo arqueológico. É necessário destacar que a mineira Cementos Cosmos pretende dinamitar a 50 metros da gruta. Por este motivo, o coletivo ecologista Adega interpôs uma denúncia perante as entidades responsáveis pela fiscalização.
Contra estes abusos ambientais criaram-se diversas associações, como por exemplo, a ContraMINAcción (Twitter e Facebook) ou a Plataforma cidadá Salvemos Cabana (Twitter e Facebook). Esta última usa as redes sociais para difundir as novidades relacionadas com a mineração na Galiza. Além disso, está a realizar-se um documentário (Corcoesto. Voces contra la megaminería) que analisará a manipulação política e mediática relacionada com o caso.
Como conclusão, temos de ter em conta o relatório do Defensor del Pueblo no qual se denuncia a falta de colaboração da Xunta e o atraso na hora de disponibilizar a informação requerida sobre os danos das minas. O sucedido em Touro e em Valdeorras demonstra o escasso compromisso da Xunta com a fiscalização do setor mineiro na Galiza.
quarta-feira, 18 de março de 2015
Paiva Couceiro: desde o exílio na Galiza até à cidade do Porto
Numa entrevista a Xosé Ramón Pena, realizada em 2008 pelo diário La Opinión Coruña, o filólogo galego assegurava que, durante a Guerra Civil espanhola, Portugal estudou a possibilidade de anexar a Galiza. Segundo o escritor galego, Rolão Preto, peça chave para a criação do movimento Integralismo Lusitano, tinha aconselhado Salazar a aproveitar o caos administrativo existente durante a Guerra Civil espanhola. Segundo parece, houve mesmo um plano de ação que estudou a possibilidade de levar a cabo essa anexação.
O Integralismo Lusitano era um agrupamento sócio-político tradicionalista do Portugal de começos do século vinte, partidário da restauração da monarquia, que esteve ativo e influente desde 1914 até 1932, em oposição à República Portuguesa de 1910 e ao posterior Estado Novo de Salazar. Sem chegar a considerar ou julgar ideologias políticas, o que nos chamou a atenção fui o fato da Galiza ter servido de refúgio, exílio e base de operações a importantes figuras do Integralismo Lusitano nestas primeiras décadas do século vinte; figuras como o próprio Rolão Preto ou mesmo o seu amigo e mentor político, Henrique Paiva Couceiro.
Dentro do Integralismo, o qual se inscrevia numa ideologia nacional-sindicalista, foi o militar e político Paiva Couceiro o principal responsável por planear a restauração da monarquia portuguesa e de chegar inclusive a conseguir a sua instauração à base de teimosia, ainda que só durante 25 dias. Refugiado na vila pontevedresa de Tui, Couceiro reorganizou um pequeno grupo de militares partidários da monarquia, realizando assim diversas incursões ao território português, entre 1911 e 1919.
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| Paiva Couceiro, imagem da Wikipédia |
Esta contra-revolução monárquica, que contava com a simpatia dos conservadores da região Norte de Portugal, conseguiu subverter as instituições do território que ia do Minho à linha do Vouga, depois de realizar a sua última incursão em 1919. Em nome do rei D. Manuel II de Portugal, exilado na Grã-Bretanha, ela restaura a Carta Constitucional de 1826, proclamando, assim, a restauração da monarquia na cidade do Porto, a 19 de janeiro. Couceiro foi presidente da junta governativa desta chamada Monarquia do Norte, sendo ativamente apoiado pelos líderes integralistas. Este efémero regime, que durou até 13 de fevereiro, revogou toda a legislação republicana e restaurou a bandeira e o hino monárquicos. Não obstante, logo teria de enfrentar a carência de apoios fundamentais por parte da política, do exército e da sociedade portuguesa, tendo de abandonar as suas pretensões a favor da República.
Quem foi Cristóvão Colombo?

Cristóvão Colombo descobriu América no ano de 1492. Este fato, mundialmente conhecido, é totalmente verdadeiro e muito difícil de ser negado. Pelo contrário, outras informações relativas à vida pessoal do navegador, como por exemplo o seu lugar de nascimento, ficaram por esclarecer e, até hoje, foram alvo de diferentes hipóteses, que não conseguiram, no entanto, encontrar os documentos ou as provas necessárias para fazer dum conto uma história real.
Uma dessas hipóteses (talvez a mais conhecida), apoiando-se num escrito oficial encontrado no “Archivo de Simancas” e numa afirmação do escritor Pedro de Ayala, defende que Colombo era de origem genovesa. Outros estudos defendem que ele era catalão, galego e mesmo português, tendo em conta a análise dos seus escritos em língua castelhana. A proximidade destas línguas romances no século XV torna difícil a tarefa de assinalar uma procedência exacta aos achados linguísticos que contêm os escritos de Colombo, pelo que a sua língua materna poderia ser qualquer uma das três. Não obstante, de que falaremos a seguir vieram a sobrepor a hipótese galega sobre as restantes. A primeira prova advém do próprio apelido do explorador: ainda que existissem outros apelidos semelhantes noutras nações, o apelido `Colón´ só existia na província de Pontevedra, na Galiza. A segunda prova apoia-se nos nomes que receberam os lugares que ele foi baptizando e que coincidem com mais de duzentos topónimos das Rias Baixas: só um grande conhecedor dessa ria poderia fazer uso desses nomes assim.
Sabia-se que Colombo era um importante nobre, recebido pelos reis de Espanha e de Portugal antes e depois de a América ter sido descoberta. Com esta ideia em mente, o historiador viguês Alfonso Philippot começou a investigar o assunto, até que no ano 1977 encontrou evidências de um nobre que cujas semelhanças com a figura de Colombo eram evidentes: o seu nome era Pedro Madruga. As semelhanças falam por si. Em 20 de janeiro de 1486 Colombo visita os reis católicos para lhes expor o seu projeto de atravessar o oceano Atlântico em busca das Índias; há documentação oficial que diz que Pedro Madruga estava naquele dia, na mesma hora, no mesmo lugar e no mesmo barco perante Isabel e Fernando. Além disso, segundo a informação obtida pelo historiador viguês, Pedro Madruga morre nesse mesmo ano, isto é, quase seis anos antes do descobrimento da América. Mas o nobre não aparece morto, não é enterrado, nem é reclamado pela família: simplesmente desaparece. Mesmo apesar de ele 'ter morrido', cerca de 100 documentos reclamam-no como se estivesse vivo até o ano de 1506, que é quando morre Colombo. Também há testemunhos do interesse que o Colombo tinha pela mulher e o filho de Pedro.
Uma explicação para esta mudança de identidade terá a ver com motivos políticos: Pedro lutara com os reis de Portugal contra Castela. O nobre, por ter sido um grande inimigo da Coroa, não podia receber publicamente os favores dos reis católicos. Não obstante, como ele conhecia os segredos da navegação portuguesa, que os reis católicos de Castela tanto desejavam, teve de receber um novo nome para iniciar a sua expedição. E foi assim que um galego fez uma descoberta importante sem ter sido reconhecido como tal.
terça-feira, 10 de março de 2015
O Entrudo: Portugal e Galiza
Por:
Gabriel Ares Cuba
Sara Cambeiro Vázquez
Hoje vamos falar dos entrudos no norte de Portugal. Há pouco que foi a época de entrudos e decidimos fazer uma escolha dos mais interessantes para lembrarmos esta celebração. Para além disto, vamos conectar esta tradição
portuguesa com a correspondente galega. Falaremos da zona de Trás-os-Montes (entrudo de Podence, entrudo de Lazarim, e entrudo de
Vinhais).
A zona de Trás-os-Montes é uma região histórica portuguesa fronteiriça com a Galiza e com Castela e Leão. Esta região conta com quatro distritos: o Distrito de Vila Real (catorze municípios), o
A ação dos diabos de Vinhais já não produz hoje os efeitos temidos de outrora, quando as
raparigas não se atreviam a sair à rua. O ritual de castigo e
correrias pelas ruas da vila é hoje uma manifestação tímida e
cada vez mais incerta, com não mais do que uma dezena de mascarados.
Os trajes destes mascarados são duma cor vermelha muito intensa e
capaz de aterrorizar as pessoas. É um vestido muito simples que pode
ir acompanhado com um pau, o qual usam para ameaçar.
Mas, em Podence, pequena
aldeia situada a poucos quilómetros de Macedo de Cavaleiros, a
tradição está de boa saúde e conserva ainda uma boa parte da
licenciosidade «selvagem» que sempre a caracterizou. Os dias
grandes da festa são o Domingo Gordo e Terça-feira Gorda e os
Caretos só param para matar a sede ou para combinarem mais uma
arremetida sobre a Praça da Capela, a pequena praça da aldeia onde
todos assistem ao ritual.
Em Lazarim, o Entrudo é uma festa local, quase privada, cuidadosamente preparada nas semanas que a antecedem. O ponto alto é a leitura pública das «deixadas», testamentos que falam sobre os rapazes e as raparigas da aldeia. Jocosos, trocistas e irónicos, são preparados em segredo pelos mais novos, que muitas vezes recorrem à sabedoria e conhecimento dos mais velhos, repetindo a tradição. Os testamentos são lidos pelos mascarados (para que as vítimas citadas não reconheçam os autores das diabruras) e ouvidos pela população, em silêncio.
Em Lazarim, o Entrudo é uma festa local, quase privada, cuidadosamente preparada nas semanas que a antecedem. O ponto alto é a leitura pública das «deixadas», testamentos que falam sobre os rapazes e as raparigas da aldeia. Jocosos, trocistas e irónicos, são preparados em segredo pelos mais novos, que muitas vezes recorrem à sabedoria e conhecimento dos mais velhos, repetindo a tradição. Os testamentos são lidos pelos mascarados (para que as vítimas citadas não reconheçam os autores das diabruras) e ouvidos pela população, em silêncio.
Mas a festa não fica completa sem o Desfile de Caretos, o Concurso de Máscaras (feitas em madeira pelos artesãos locais) e a Queima dos Compadres - o compadre e a comadre, dois bonifrates cheios de pólvora e que, na terça-feira, põem ponto final à festa e à rivalidade que durante várias semanas opôs rapazes e raparigas. Fundamentais são também as refeições cerimoniais à base de carne de porco, que marcam o inicio do período de abstinência da Quaresma.
Na Galiza, os Cigarróns, que são personagens mascarados e adornados (como em Verín), as
Pantallas que chateiam os viandantes com duas bexigas cheias
de ar (muito comum no Entrudo de Xinzo da Limia), os distintos Peliqueiros (como em Laza), personagens que se distinguem pela sua animalização: não falam, levam chocalhos como os animais,
azorragam às pessoas e levantam a saia às mulheres. Animais como uma vaca, um burro ou um galo, sejam reais ou simulados, simbolizam o Entrudo em si e intervêm na festa, quer para serem burlados e escarmentados, quer para atuar activamente fazendo
falcatruas.
Para finalizarmos, podemos dizer que os entrudo do norte de Portugal têm rasgos em comum com os da Galiza como, por exemplo, o terror, o acosso e o uso de imagens demoníacas.
Bibliografia:
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quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015
O músico português Miguel Araújo vai estar na Galiza
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| Imagem: Rádio Comercial |
Miguel Araújo é um dos músicos portugueses com mais sucesso da atualidade. Começou por ser conhecido como membro da banda Os Azeitonas, formada em 2002. Em 2012 lança o seu primeiro álbum a solo, Cinco Dias e Meio, que entra para o 3º lugar do top de vendas em Portugal. As letras das músicas de Miguel Araújo contam histórias comuns de pessoas comuns da sua geração com um tom divertido e simples; histórias que podiam ser as nossas histórias.
Trago para aqui o Miguel Araújo porque ele vai estar na Galiza muito brevemente, nos dias 12, 13 e 14 de março, em Santiago (Kunsthalle), em Lugo (Clavimcembalo) e em Ourense (Auriense), respetivamente. Se puderem assistir, vai valer a pena. Para mais informação, vejam aqui. Contem como foi, depois.
Apresentação da professora
Como (quase) todos os grupos se apresentaram, resta-me apresentar-me a mim também.
Sou a Patrícia, professora da disciplina de Idioma Moderno: Português, sou de Braga, uma cidade situada no Minho, a norte de Portugal e gosto imenso da Galiza. Sinto-me em casa aqui por várias razões: (i) porque sempre vivi entre as duas margens do rio Minho, (ii) porque adoro a paisagem verde montanhosa que une o Minho e a Galiza (um dos meus lugares preferidos no mundo inteiro é o Parque Natural da Peneda-Gerês) e (iii) porque ouvir galego me faz lembrar a minha infância e a casa da minha avó paterna, que tinha sempre a casa cheia de gente - principalmente nas férias da Páscoa - incluindo os primos do meu pai que vinham de Ourense visitar-nos. Naquela altura, falávamos todos uma mesma língua, que hoje ganhou matizes diferentes nas duas margens do rio.
Há ainda uma outra razão para me sentir em casa aqui que tem a ver com as gentes. Não sei se por proximidade entre regiões cuja única fronteira é o rio, se por sempre ter vivido entre as duas margens, a verdade é que o meu temperamento é muito parecido com o temperamento das pessoas daqui: reservado, mas profundamente leal e gentil. Aqui os amigos são para a vida inteira, mesmo que demore um pouco a entrega inicial.
Como gosto da natureza, os meus lugares preferidos são os montes, onde adoro andar de bicicleta. Mas também gosto do mar, principalmente no inverno, e como a Corunha tem um dos mais extensos passeios marítimos da Europa, acabei por trazer de Braga a minha bicicleta para o poder percorrer mais facilmente. Com estas viagens, já conheci as praias, já visitei a Torre de Hércules, o Parque Escultórico, o Parque do Monte de San Pedro (que quero explorar com mais calma), e o Millennium Obelisco.
Não tenho tido muito tempo para descobrir tudo o que a cidade tem para oferecer, mas espero fazê-lo em breve.
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| Gerês (2010) |
Local:
Corunha, A Coruña, Spain
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