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terça-feira, 10 de maio de 2016

"Multado por dar de comer a pobres e cegos"

Nesta ocasião comentaremos um artigo que se publicou há umas semanas num jornal português. O dito artigo mostra como uma boa ação pode implicar um castigo. Nesta ocasião, ajudar seis pessoas carenciadas mais do que o acordado com a Segurança Social significa ser multado com 6300 euros.
Em primeiro lugar, considero uma injustiça multar um Centro Social por apoiar aqueles que verdadeiramente precisam. O dito Centro, junto com a Paróquia de S. Martinho das Moitas, está a realizar um trabalho que proporciona aos carenciados uma vida melhor. De acordo com o último estudo levado a cabo pela Federação Portuguesa dos Bancos Alimentares Contra a Fame, Portugal conta com 390.900 pessoas carenciadas. Consequentemente, a atenção domiciliária é primordial para o desenvolvimento destas pessoas.
Em segundo lugar, em relação com o mencionado anteriormente, não acredito que a ajuda a um ser humano esteja condicionada por um acordo que exclui alguns que também necessitam. É verdade que o país lusófono arrasta uma crise desde 2011 que perdura até a atualidade; porém, creio que o governo deve garantir que toda a população possa desenvolver-se como pessoa e ter uma vida justa e digna. Além disso, os cidadãos têm a responsabilidade de assegurar que o governo se mantenha responsável e proteja os direitos humanos. É trabalho de todos conseguir uma vida mais satisfatória para eles. Se não somos capazes de consegui-lo, não poderemos falar duma sociedade justa e igualitária.
Por outro lado, é difícil crer que uma ação que proporciona ajuda possa ser multada. Porém, existem na sociedade outras “injustiças” que provêm de ótimas ações. Por exemplo, o fato de impedir uma ordem de despejo, na Espanha, ou dar comida aos pobres na rua, nos Estados Unidos, é considerado delito. É curioso como ajudar o próximo se está a converter numa “má” ação. Contudo, o pior é ver que as pessoas não se opõem a estes factos e que permitem que este tipo de coisas continuem a acontecer. Os direitos humanos estão a ser quebrados e acho que é o momento de nos mostrarmos mais críticos com os governantes que nos dirigem como povo, mas também com nós mesmos e com o que nos rodeia.
Para uma família ou para as pessoas que vivem isoladas tem de ser muito complicado observar como as ajudas não são suficientes para lhes proporcionarem a estabilidade que necessitam. Além disso, nas pessoas há uma sensação de que os prejudicados são sempre os mesmos, quer dizer, os que menos recursos têm são os que sofrem as piores consequências. Penso que essa sensação é real, pois não acredito que num país em crise os governantes continuem a cobrar o mesmo enquanto as subvenções para os carenciados se reduzem. Como dizia o conde de Mirabeau: “o governo não se fez para a comodidade e o prazer dos que governam”.
Em resumo, como expõe o artigo 25 da Declaração Universal dos Direitos do Homem, “toda a pessoa tem direito a um nível de vida suficiente que lhe assegure a si e à sua família saúde e bem-estar, principalmente quanto à alimentação, ao vestuário, ao alojamento, à assistência médica, e ainda, aos serviços sociais necessários". Em resumo, considero que não é coerente castigar uma ação que está a garantir um direito fundamental das pessoas. Pelo contrário, creio que seria melhor reunirmos forças para lutar entre todos por uma sociedade justa e igualitária em que cada indivíduo se possa desenvolver como pessoa. Como dizia o político e escritor cubano José Martí: “ajudar a pessoa que necessita não é só parte do dever, mas da felicidade”.
Fonte: Flickr

Buscando a felicidade numa vida melhor

A migração interna, quer dizer, quando uma pessoa muda duma região para a outra mas dentro do próprio país em busca duma vida melhor, é uma realidade cada vez mais presente na Espanha. Desde 2008 a migração exterior e interior foi aumentando por causa da crise económica do país até a atualidade.
Na minha vila muitas pessoas decidiram migrar para as cidades, com a esperança de encontrar um trabalho que lhes proporcione estabilidade económica necessária para poder viver dignamente e poder desenvolver-se como pessoas. Porém, muitas vezes os resultados não foram os esperados. Talvez não imaginassem ou não pensassem que a maior parte dos trabalhos que oferecem as cidades requerem formação específica e, também, experiência prévia. Não obstante, alguns tiveram sorte, conseguiram um trabalho e puderam estabelecer-se na cidade. A vida melhor que procuravam estava a fazer-se realidade. É o caso duma amiga da minha mãe. Ela trabalhava numa loja de roupa mas, com a crise, a loja fechou e não tinha dinheiro suficiente para sobreviver. Então, decidiu viajar para a capital, Madrid, e buscar ali um futuro melhor. Lá foi contratada para trabalhar como advogada num gabinete, pois tinha feito a licenciatura ao mesmo tempo que trabalhava na loja. Deste modo, alcançou uma profissão reconhecida e pôde formar ali uma família.
Em contraposição, outras pessoas vieram à minha vila com a intenção de fugir da agonia e do alvoroço das cidades. Buscavam uma vida mais tranquila para as famílias e um novo meio em contato com a natureza, longe da poluição das urbes. Lembro-me duma família que começou uma nova etapa com os filhos; adoravam tudo o que antes não tinham: a calma, falar com as pessoas na rua, a cultura própria, os costumes, a natureza... Enfim, o modo de viver. O certo é que há uma visível diferença entre uma cidade como Barcelona e uma vila do centro de Galiza. Contudo, a adaptação deles foi muito rápida, e em pouco tempo, abriram um negócio de restaurantes que teve um considerável êxito entre os vizinhos. Os anos passaram e eles conseguiram formar uma vida afastada da cidade e, também, uma estabilidade económica num lugar que outros abandonavam pela mesma razão.
Em síntese, nestas situações observamos dois tipos de migração interior, do rural para a cidade e da cidade para o rural, com o mesmo objetivo, ou seja, buscar uma vida melhor. A diferença está no que cada pessoa considera como “vida melhor”. Não temos um sentir comum, isto é, uns buscam a felicidade e a estabilidade num meio saudável, fugindo do ruído e do stress da cidade e outros correm para as cidades tentando cumprir os seus sonhos. Não obstante, é verdade que em períodos complicados a urbe parece a opção mais apropriada para buscar um futuro, já que oferece multitude de oportunidades e serviços. Porém, considero que é ótimo ter estas duas variantes para que nenhuma zona fique sem habitantes. A vida nas vilas e aldeias, junto com os trabalhos na agricultura ou no comércio, são tão necessários como os que se realizam na cidade. Nem sempre onde há mais oportunidades é onde está a solução. “ A cidade maior está dentro da nossa mente”.
Fonte: Pinterest

O novo e perigoso mundo da juventude

As redes sociais abriram um novo caminho dentro das relações pessoais e também muitas vantagens no que diz respeito às formas de comunicação. Não obstante, começa a produzir-se uma prática preocupante entre a juventude. Estamos a falar do acosso que estão a sofrer muitos jovens por parte de outros que se escondem detrás de perfis anónimos.
É verdade que as redes sociais estão melhorando a cada momento no tocante à segurança dos usuários. Porém, o número de casos de acosso e discriminação continua a aumentar. O que em muitas ocasiões começa na escola acaba por transcender a este mundo virtual sem que ninguém possa das uma solução. Apesar das diversas campanhas relacionadas com fazer um uso responsável destas redes, a mocidade continua sem se consciencializar. Acho que é tempo de nos preocuparmo deveras com este problema que nos afeta a todos.
Fonte: Google
Em primeiro lugar, creio que os primeiros que têm que intervir no assunto são os pais, pois devem criar os seus filhos numa educação baseada no respeito, na igualdade e na fraternidade pelos demais. E, também, devem ser os primeiros a castigar e condenar este tipo de comportamento negativo. É trabalho deles, mas também dos educadores. A escola deve inculcar uns valores aos alunos nos quais prevaleça a consideração pelos demais. Por outro lado, é necessário que os governos e as instituições se preocupem mais por estes temas, deixem de debater entre eles e lutem todos juntos na busca por uma solução radical e definitiva. É o momento de unirmos forças para conseguir uma sociedade mais digna na qual nenhum jovem tenha medo pelo simples facto de ligar o computador.
Em segundo lugar, não podemos esquecer-nos das consequências tão graves que provocam este tipo de comportamentos nas pessoas que o sofrem. O suicídio, é para muitos deles, o desenlace. A sua vida converte-se numa espiral de medo, ansiedade, solidão, tristeza, angústia... Por este motivo, devemos prestar atenção e denunciar qualquer tipo de indicio sobre este assunto. Em consequência com o dito anteriormente, considero que as penas por este tipo de delito deveriam de endurecer-se, castigando, assim, por mínimas que fossem, qualquer tipo de ameaças nas redes sociais.
Fonte: Google
Em resumo, os novos mundos e caminhos que se abrem ligando o computador podem ser perigosos. Não obstante, somos nós mesmos os responsáveis, pois devemos pensar nos demais antes de atuar e fazer uso das redes sociais. Além disso, devemos reclamar uma boa educação e uns castigos exemplares para pôr fim a um problema que nos concerne a todos como membros duma sociedade. “Remember always that you not only have the right to be an individual, you have an obligation to be one.”


quinta-feira, 26 de novembro de 2015

A EMIGRAÇÃO EN PORTUGAL

Neste artigo falaremos sobre a migração em Potugal e a perda de população por diferentes fatores ao longo da história. A perda de colónias ou a guerra são alguns dos fatores de que falaremos.

Portugal é um país moderno, com uma população em rápido envelhecimento, igual a outros países europeus. Sua população é de 11 400 000, dividida em 20% menores de 15 anos, 60% entre 15 e 65 anos, e 20% com mais de 65 anos.

A maioria da população vive na costa e regiões do norte como Lisboa e Porto são as áreas mais povoadas do país. Isto acontece porque em meados do século XX a industrialização em Portugal gerou o abandono progressivo do campo, especialmente perto da fronteira com Espanha, trazendo a população para as cidades como as mencionadas acima. Estas cidades hoje, juntamente com outras, como Braga, Setúbal e Algarve, são fortes centros industriais e áreas turísticas.

Quanto à migração, Portugal é famosa pelo seu passado e pelas suas colónias ultramarinas. O colonialismo português durou até meados do século XX, com uma população de cerca de dois milhões de pessoas a viver fora do próprio país. É importante mencionar aqui o grande papel do Brasil, país de acolhimento de  uma grande parte da população. Na época da Segunda Guerra Mundial é também notável o número de português que se mudam para países como a França e a Alemanha. Estes emigrantes enviaram depois dinheiro para o país de origem, e isto foi um fator importante para Portugal. Esta migração foi muito importante para o país, já que a população de Portugal diminuiu. Esta situação mudou com o advento da democracia e a perda das colónias, gerando um aumento significativo na população portuguesa.

Em Portugal vivem atualmente perto de 450.000 imigrantes, cerca de 5% da população. Estes imigrantes vieram, em grande parte, das ex-colônias de Portugal. Depois que o país entra na União Europeia em 1986, o número de imigrantes continua a aumentar. Esta população imigrante concentra-se principalmente em áreas costeiras e nas grandes cidades.


sexta-feira, 15 de maio de 2015

Hábitos e modos de vida da juventude

"Ao encorajar as pessoas a conectar mais aparelhos, o que vai acontecer ao antigo contacto humano  de cara a cara?"
"Encontrei uma aplicação para isso ontem..."

Os hábitos de vida mudaram consideravelmente nos últimos tempos por causa da globalização e das mudanças que ela acarreta consigo. O século XXI veio carregado de novidades muito práticas para alguns, mas desconcertantes e desumanizadoras para outros. É que nem toda a gente está a favor de mudar os seus costumes por outros tão questionáveis como os costumes modernos, que parecem ser uma ajuda ao princípio, mas logo depois se convertem numa necessidade que pouco a pouco vai afastando a qualquer pessoa daquilo que de verdade importa na vida.
Uma maneira de perceber com claridade esta mudança que veio a acontecer nas últimas décadas é olhando as diferenças que há entre as pessoas mais velhas e os jovens. Hoje, poder-se-ia dizer que existe uma barreira quase intransitável entre avós e netos: nem um ancião compreende muito bem o que o seu neto faz, nem o rapaz ou rapariga sabe porque é que os seus avós falam dessa maneira. A principal causa disto é a diferença de valores, que é prova da enorme diferença que há entre a actualidade e a época que lhes tocou viver. Antes, os avós tinham que trabalhar desde de manhã até à noite para sustentar a família inteira, com menos recursos e muitas mais dificuldades. Não havia uma saúde tão boa, nem uma oferta de trabalho tão grande, nem era tão fácil obter as coisas necessárias para o dia-a-dia. Tampouco havia infra-estruturas de transporte tão desenvoltas, e só umas poucas pessoas tinham a possibilidade de estudar. 
Parece que agora vivemos muito mais seguros, com mais comodidades e o tempo livre é maior do que antigamente. O certo é que a segunda metade do século XX estabeleceu mudanças muito positivas para a melhoria das condições de vida da gente, por comparação com aquelas tão difíceis de antigamente. Mas o desenvolvimento acelerado das novas tecnologias que surgiram nos finais do século XX e começos do século XXI veio acentuar de uma maneira negativa esta diferença natural existente entre pessoas de diferentes gerações. Fenómenos como as redes sociais ou o whatsapp mudaram as relações entre pessoas até ao ponto de separar jovens de anciãos dentro de cada nação como se pertencessem a culturas diferentes, com diferentes línguas. 
Estas modernidades, embora sejam coisa da juventude, não resultam estranhas apenas aos olhos das pessoas mais velhas. Às vezes, são os próprios jovens que se surpreendem quando dão com uma nova invenção, criada para  uso recreativo ou para fazer a vida mais fácil do que já é. Isto é um sinal claro de que as tecnologias estão a ocupar mais espaço do que elas deveriam na vida das pessoas. Mas, quantos são aqueles que se sentem atraídos pela novidade e quantos são os que as desprezam? Que percentagem da juventude se limita a fazer uso de todos estes aparelhos sem refletir e quantos são aqueles que questionam o seu valor material e moral?
Acho que poucos são os que rejeitam por completo o uso destas tecnologias em comparação com aqueles que as usam sem pensar que talvez sejam vítimas delas e da sua desumanização. E não há muita gente que pense antes de comprar se vale a pena gastar dinheiro em aparelhos que custam mais do que manter uma família por meses para logo ficarem estes em desuso ou perderem o seu valor em muito pouco tempo. O tempo também deve ser considerado: às vezes ganhamos tempo, como quando escrevemos um trabalho no computador, para depois perder muito mais nas redes sociais. Há que apreender a dar o valor que cada coisa merece e isso pode-se conseguir refletindo e prestando alguma atenção aos conselhos dos anciãos. Eles sabem melhor do que nós o que em verdade é necessário e o que não o é, e que piores tempos podem voltar.
Thoreau, na sua obra intitulada Walden, falava das necessidades do ser humano e de como estas mudaram com o passar do tempo. Para explicá-lo mencionava uma história do naturalista Darwin, o qual contava que "em sua equipe os homens bem vestidos sentiam frio sentados junto a uma fogueira, enquanto os selvagens da Terra do Fogo que se encontravam nus à distância, para surpresa geral, "suavam em bica padecendo tal churrasco". A seguir, o escritor norte-americano fazia a seguinte reflexão: "será impossível combinar a resistência física dos selvagens com a intelectualidade dos civilizados?"

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

14F Dia dos Amordaçados



Por:  
Gabriel Ares Cuba 
Sara Cambeiro Vázquez 


Bom, no artigo de hoje vamos falar sobre uma lei que há muito tempo ameaça as liberdades dos cidadãos: é conhecida como a “Ley Mordaza” (“lei da mordaça”). Esta lei, que não era necessária até agora, foi criada para infundir medo nas pessoas, que parecem constituir um problema para o Governo espanhol, ultimamente. 
Desde há aproximadamente um ano a situação espanhola decaiu devido à má gestão dos seus líderes, que levaram o país a um Estado desigual, precário e injusto. A crise económica, a derrogação de leis mais progressistas e o aumento da violência policial criaram um clima de descontento popular e social que vaticina mudanças profundas. 
O “Proyecto de Ley Orgánica de protección de la seguridad ciudadana” (Lei de segurança cidadã - LSC), redigido e aprovado pelo Congresso dos Deputados, promete frear e reprimir as mudanças que as pessoas menos representadas pelas instituições públicas pretendem iniciar.  
A “Sección 2ª” deste projeto, onde se fala das infrações e sanções, classifica as faltas em muito graves, graves e leves. Entre as infrações muito graves incluem-se ações como: manifestações não comunicadas em espaços públicos e arredores, utilização de armas regulamentadas sem documentação requerida, celebração de espetáculos públicos que ignorem a suspensão ordenada pela autoridade correspondente, e a projeção de halos de luz sobre pilotos ou condutores de meios de transporte. Estes atos incorrem numa multa de entre 30 001 € até 600 000 €. 
De entre os delitos graves há que pôr em destaque a recusa de dissolver reuniões e manifestações em espaços públicos, a obstrução da via pública com mobiliário urbano e o uso não autorizado de imagens de autoridades ou membros das forças de segurança. Quem levar a cabo estas ações será sancionado com multas de entre 601 € até 30 000 €. 
Dentro das infrações leves incluem-se as faltas de respeito e consideração para com membros das forças de segurança, a escalada sem autorização de edifícios ou monumentos e o consumo de bebidas alcoólicas em lugares públicos. Estas infrações serão multadas com valores de entre 100 € até 600 €. 
Estes são só alguns pontos desta lei e se compararmos estes pontos com os artigos da Constituição espanhola vemos que eles são um atentado contra os direitos e liberdades individuais. Entendemos que as constituições de cada país existem com base em sucessivas leis. Porém, muitas das normas aprovadas no Congresso contradizem-na, o que se pode ser considerado um delito constitucional. 
Como conclusão, o Governo espanhol pretende aterrorizar os seus cidadãos com um projeto de lei que é abusivo, desumano e absurdo. É por isto que consideramos que o Governo espanhol está a praticar terrorismo de estado contra a população. 

Bibliografia: 
- Congreso de los Diputados, Constitución Española, 1978, em:<http://www.congreso.es/consti/constitucion/indice/index.htm>. 

- Congreso de los Diputados, “Ley Orgánica de protección ciudadana”, em:<http://www.congreso.es/public_oficiales/L10/CONG/BOCG/A/BOCG-10-A-105-4.PDF>.